4,98★★★★★(49 votos) · 168 visitasThriller e mistério
Resumo
João perdeu tudo, mesmo a certeza de quem foi antes da ruína. Sobre as brasas de sua antiga vida, empreende uma viagem que parece sonho, castigo e revelação ao mesmo tempo. A cada passo o aguardam criaturas nascidas da carne torta do medo, visões em que a lujuria se mistura com a culpa, e paisagens onde o desejo tem o mesmo cheiro que a cinza.
Convertido numa figura errante, metade homem e metade penitência, avançará para um centro escuro do qual não poderá sair indemne. Lá deve enfrentar não só monstros, mas a verdade de sua própria ferida. Porque alguns infernos não estão debaixo de terra: dormem na alma, esperam na memória e vestem o rosto daquilo que mais almejamos. E quando o último véu cair, João compreenderá que o inimigo que tanto temia percorreu ao lado dele desde o início.
O Cavaleiro Tinha os joelhos hincadas na terra áspera, úmida pelo orvalho e esquebrada pelo frio. Sua armadura não era brilhante, mas mostrava as cicatrizes de um passado de violência e desolação. Seus grebas, luvaletes e couraça acerada tinham teñido há tempo de óxido, brea e sujeira, de uma costra escura que se agarrava ao metal como uma peste antiga. Aquela camada de e assim o homem e o seu armadura pareciam uma única criatura maltrecha, uma miudegem fencado à verdade Um caminho maldito. Ali, tendido em uma pendente pedregosa, no meio de uma floresta de pinheiros que susurraban ameaças com seus ramos oscilantes, sob um céu cinzento e pesado como o sudario de um sepulcro marchito, o cavaleiro permanecia. Era João, seu nome, e estava Atirado entre a vida e a morte. Sem nada entre as mãos, as palmas voltas para a bóbada encapotada, soltou uma lágrima que rodou lenta sobre sua pele Entumecida pelo frio glacial. Deus! Como desejava a morte. Queria que a terra se abrisse e o devorará, ou que os deuses, se realmente existissem, o devorarão, ou que os deuses o devorarão, ou que os deuses, se realmente existissem, Eles reclamam em um ato de obscura piedade. Um corvo Ele grazou não muito longe, seu chillido cortante invadindo a tranquilidade. Seria aquele pássaro um mensageiro das divindades cruéis? Um heraldo da desespero que já o envolvia? João não podia afastar a amargura de seu interior. A perda, o horror, a devastação que sucavam seu rosto marcado por mil batalhas e tempestades. Sua vida havia passado ao raso, dormindo sob estrelas hostis que agora se ocultavam após um lenço cinzento. Uma barba Entrecana e hirsuta, somada ao cabelo sujo, enmaranhado, caía em hebras infames sobre a sua frente. Sua tez, curtida por ventos e cicatrizes, era a tela de uma A existência cheia de guerras, privações e gritos. Cenizas do fogo extinto, pedaços de vautas médio queimadas dançavam no ar, arrastadas por um vento etéreo e sujo, que agitava a imensidão da floresta. À sua direita, meio afundada na brea, jácia sua espada. Tinha sido uma arma nobre, mas agora o seu filo mostrava manchas herrumbrosas e a empuñadura parecia uma ramo seco a ponto de se astilhar. Um pouco além, uma cabana miserável, Semiderruida e maldita, consumia-se nas últimas chamas. O hollín e o fumo, espirais de um choro sem palavras, ascendiam lentos, difuminando-se na